Quinta-feira, Julho 09, 2009

O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA

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Fecho os olhos e deixo que me conduzas.
Ao princípio cada passo é uma decisão, um medo de tropeçar e cair, um medo de me magoar, mas dou-Te a mão e confio.
Acredito que não me deixas cair.
Depois os passos vão-se tornando mais firmes, mais decididos, mais confiantes, porque então já não só acredito mas tenho como verdade, que Tu não me deixas cair.
Torno-me mais afoito, há momentos em que já corro, há momentos em que até perco o bom senso e já me atiro para a frente como se não houvesse pedras de tropeço, buracos onde cair.
Mas ainda Te dou a mão e Tu, com todo o Teu amor, vais-me chamando a atenção, vais-me pedindo calma, vais-me dizendo para me agarrar ao Teu tempo e não querer "fazer" o meu.
Mas eu acho que já sou capaz, porque estou tão certo das certezas que Tu me deste, que elas já me parecem minhas, e assim até me parece que o estar de mão dada conTigo me impede de caminhar, de correr, da fazer tudo aquilo que eu já penso conseguir fazer sozinho.
E Tu cheio de paciência vais-me dizendo com amor, que sozinho não sou capaz, que o caminho só tem sentido, verdade e vida, se for vivido conTigo, segundo a Tua vontade.
Mas aí eu já não Te ouço, tão cheio estou das minhas capacidades, que até começa a parecer que o aluno quer ultrapassar o Mestre.
E esbracejo e corro, atiro-me para a frente, e até parece ao princípio que afinal tinha razão pois tudo corre tão bem.
Mas de repente, a pedra de tropeço, o buraco fundo e intransponível, onde caio e não me consigo levantar!
Olho para Ti, estendo-Te a mão e digo:
Levanta-me Senhor, que me afundo em mim!
E a Tua mão logo surge, agarra a minha com força, tira-me do abismo em que caí e olhando-me nos olhos, dizes-me cheio de amor:
Eu não te disse meu filho que sem Mim, não há caminho. Eu não te disse meu filho, que não podes viver em Meu Nome, se não me quiseres ao teu lado.
É que sabes, meu filho, tu tens olhos para ver, ouvidos para ouvir, boca para falar, mente para pensar, coração para amar, mas se não viveres na e da minha luz de nada te serve caminhar.
Por isso Eu te disse sempre e continuo a dizer: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida
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Sexta-feira, Junho 26, 2009

COMO DEUS NOS FALA!

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Estive no Sábado passado em mais um almoço de ex-combatentes da Guiné.

Nestes encontros vivem-se sempre momentos de emoção profunda, motivados pelos reencontros com aqueles que connosco viveram situações tão difíceis, e porque se relembram histórias em que as nossas vidas estiveram em perigo real e verdadeiro.

A fé que agora vivo, (naquele tempo vivia afastado de Deus e da Igreja), leva-me sempre a tentar tirar de tudo o que eu faço, de tudo o que eu vivo, um ensinamento, uma mensagem, que Deus sempre tem para aqueles que o escutam de coração aberto e confiante.

E meditei num paralelismo de situações, entre a vivência daqueles anos de guerra e a nossa caminhada de cristãos, atendidas claro está as diferenças, pois a vida de um cristão não é uma guerra contra ninguém, mas uma batalha contra tudo aquilo que o quer afastar do Caminho, da Verdade, da Vida.

E uma das primeiras coisas que logo me apercebi não foi uma semelhança, mas uma diferença.

Quando partimos para uma guerra como esta, longe da pátria e da família, um dos nossos principais pensamentos vai para o tempo que ainda falta cumprir, e vão-se contando os dias que ainda precisamos viver naquela vida para finalmente regressarmos a casa, que é para nós naquela situação, lugar de paz, de alegria, de harmonia, de felicidade.

Diferentemente na nossa vida de cristãos, também contamos os anos, mas esperando sempre que a partida desta vida seja sempre o mais tarde possível.

Mas não é verdade que Jesus Cristo nos prometeu a vida eterna, no gozo eterno da presença de Deus, finda esta vida terrena?
Então não deveríamos nós lutar, perseverar no caminho da vontade de Deus, afastando o mal das nossas vidas, (tal como na guerra fazemos para não perecermos), e então contarmos os dias e os anos que nos faltam para encontrarmos a Casa do Pai onde encontraremos finalmente a paz, a alegria, a harmonia, a verdadeira felicidade?

Na guerra procuramos ansiosamente chegar ao fim do tempo para podermos encontrar um sonho de paz e felicidade.
Na vida de cristãos procuramos retardar o mais possível o fim das nossas vidas, o que não tem sentido, visto que esse fim nos levará ao encontro com a realidade da promessa de Deus, que é o gozo eterno na Sua presença.

Na guerra procuramos salvar as nossas vidas para as vivermos neste mundo. Como cristãos devemos procurar perder as nossas vidas deste mundo, para as podermos viver na eternidade com Deus.

Na guerra há certos ferimentos, certas doenças que nos trazem de volta a casa, o que por vezes até agradecemos.
Nas nossas vidas de cristãos não queremos aceitar as provações, as doenças, que são muitas vezes motivo para mudança das nossas vidas, mudança essa que nos leva ao caminho para a Casa do Pai.

Na guerra unimo-nos e ajudamo-nos uns aos outros, defendemo-nos em conjunto dos ataques do inimigo, partilhamos alegrias e tristezas e até os poucos bens que possamos ter ou nos vêm da casa dos pais.
Na nossa vida de cristãos tantas vezes nos centramos no nosso egoísmo, e em vez de nos unirmos, dividimo-nos em querelas sem sentido, em vez de ajudarmos os outros, fechamo-nos na indiferença, em vez de lutarmos juntos em Igreja contra o inimigo, dividimo-nos em grupos e atitudes, em vez de partilharmos as nossas emoções, os nossos sentires e os nossos bens materiais, vivemo-los apenas para nós, em vez de colocarmos ao serviço os bens, (dons), que o Senhor nos dá, guardamo-los connosco e assim acabamos por os perder.

Na guerra estamos sempre vigilantes para não cairmos nas emboscadas e nos podermos defender.
Na nossa vida de cristãos vivemos tantas vezes distraídos, deixando que o inimigo se aproxime e nos faça cair.

Na guerra saímos em patrulhamentos para afastarmos o inimigo dos nossos quartéis.
Na nossa vida de cristãos deixamo-nos estar sentados sem nada fazer e muitas vezes até trazemos o inimigo para dentro das nossas casas, nas coisas que lemos, que vemos, que fazemos.

O que interessa verdadeiramente é procurar em tudo a mão de Deus, é tentar ver em tudo a presença de Deus, é discernir em tudo, o que o Senhor a todo o momento nos quer dizer.
Dizemos tantas vezes que Deus não fala connosco, quando verdadeiramente cada momento das nossas vidas é um diálogo com Deus, se O quisermos escutar, se O quisermos seguir, se a Ele nos quisermos entregar.
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Terça-feira, Junho 23, 2009

CARTA DE SÚPLICA ZANGADA

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Ó meu Jesus amado,

Escrevo-te esta carta com o coração nas mãos.
Sobretudo o coração daquela minha amiga, acompanhado do meu coração.
Sabes Jesus, já não sei se me zangue contigo, se Te grite ao coração, se me agarre a Ti a chorar.
Que queres Tu Senhor, que queres Tu mais que ela Te possa dar?
E eu Senhor, que Te posso eu dar de mim, por ela?
Eu sei Senhor, que colocas no meu coração essa certeza de que ainda queres muito dela, mas Senhor, porquê todo este sofrimento?
É verdade Jesus, hoje sai do meu coração este grito de revolta, cheio de fé em Ti!
Eu sei Senhor, que não queres que ela sofra, que não queres que nós soframos, mas porquê agora tanto só a ela?
Tantas vezes já intervieste na vida de tantos, operando milagres, então Senhor, que esperas agora, porque deixas que este sofrimento continue?
Grito ao Teu coração que só sabe amar:
Toca Senhor, toca como só Tu sabes tocar!
E não me digas que já tocaste e que é preciso esperar.
Eu não quero esperar, ela não quer esperar, os seus amigos não querem esperar, por isso Senhor, agora é o tempo de operares definitivamente o milagre da cura.
Mesmo que não seja o Teu tempo Senhor, por esta vez aceita agora o nosso tempo!
Eu espero em Ti, e nunca deixarei de esperar, eu confio em Ti, e nunca deixarei de confiar, eu amo-Te, Senhor e nunca deixarei de Te amar, mas agora Senhor, agora ouve definitivamente as nossas súplicas.
Se calhar ao rezar-Te assim, não sou digno do sofrimento que ela suporta em silêncio, mas que queres Tu Senhor, sou bem mais fraco do que ela e não quero ver mais o seu sofrimento.
E se me zango Senhor, é por amor, é porque Te amo e amo aquelas e aqueles que colocaste no meu caminho.
Obrigado Jesus, obrigado!
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Segunda-feira, Junho 15, 2009

A LUZ PEQUENINA

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Tens os olhos fechados,
e queres ver.
Tens a boca fechada
e queres falar.
Tens o coração encerrado
e queres amar.
Tens a vida contida
e queres viver.
Perdeste a chave
do teu sentido,
e já não a consegues achar.
Procuras nos bolsos,
nas gavetas da memória,
até no mais profundo recôndito
do teu cérebro,
e nada consegues encontrar.
Dás voltas e mais voltas,
já não sabes o que fazer,
para que te possas dar,
talvez mais que receber,
para que tenha sentido,
a tua vida,
o teu viver.
Olha lá bem no fundo,
no fundo do coração,
vês uma luz pequenina
que teima em não se apagar?
Toma-a na palma das mãos,
não precisas de a proteger,
porque quanto mais vento lhe der,
mais a chama vai crescer.
Deixa que ela incendeie
todo o teu coração,
deixa que ela te queime,
num arder que não tem dor,
deixa que ela te ilumine
para que os teus olhos possam ver,
deixa que ela te fale,
da vida e do amor,
e quando a luz pequenina
te iluminar por completo,
quando a luz pequenina,
do teu tamanho for,
então deixa que se veja,
também no teu exterior,
para que quem passar por ti,
veja os teus olhos a ver,
ouça a tua boca a falar,
sinta o teu coração a amar,
perceba que em ti a vida
é um permanente viver.
Porque essa luz pequenina,
quando a deixamos crescer,
torna-se toda amor
e faz-nos irmãos e discípulos
de Jesus, Nosso Senhor.

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Quinta-feira, Junho 11, 2009

CORPO E SANGUE DE CRISTO, PRESENÇA ETERNA

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Hoje instalou-se em mim, uma melancolia, uma saudade, um desejo de passado, um “voltar atrás” que quase podia saborear.
E o meu coração entristeceu-se, não com a tristeza dos tristes, mas com a tristeza dos que não têm o agora.
E fiquei a pensar e a perguntar no coração: Porquê, meu Deus?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação de que o que já tive, é melhor do que o que tenho agora?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação de me parecer ser melhor voltar para trás, do que seguir em frente?
Porque é que tenho em mim neste momento esta sensação melancólica da certeza de que para trás não posso voltar, mas ao mesmo tempo não me apetecer caminhar?
Medito no dia ... que dia é este?
Dia do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo!
E então Tu irrompes pelos meus pensamentos, ocupas o meu coração, tomas conta da minha vida e gritas a todo o meu ser:
Não vês tu, filho meu, que comigo o passado se torna presente, o presente se torna agora e o futuro já está em ti, porque Eu estou aqui?
Pois é Senhor Jesus, em Ti posso viver o passado agora, mas como Tu és presente, nem o passado é melhor do que o presente, nem o presente melhor do que o passado, porque Tu és e estás nos dois.
Ah, e o futuro também!
O futuro é já presente também, porque é promessa dAquele que é, dAquele que cumpre, só lhe falta o “ainda não”, mas mesmo este é já certeza também, na Tua presença viva.
No Teu Corpo e Sangue, que é presença constante, que é permanente dádiva, faz-se da vida um todo, em que o passado é futuro e o futuro é já vivido na certeza que Tu nos dás:
«Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28,20
Já não há saudade, nem desejo de passado, o “voltar atrás” é caminhar ... em cada momento para a frente, e a melancolia transforma-se, numa doce e permanente alegria!
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Não sei exprimir melhor aquilo que sinto e queria dizer.
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Quarta-feira, Junho 03, 2009

A UMA AMIGA, PELA GRAÇA DE DEUS

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Hoje, minha amiga,
quando saíres do hospital
olha bem para o teu lado,
repara em Quem te dá a mão!
Sim, é Ele,
não duvides,
com o Seu sorriso amado,
e os olhos a brilharem,
a brilharem da alegria
que Lhe vai no Coração.
Julgavas que era sozinha
que regressavas à vida
neste auspicioso dia?
Não,
nem por um momento sequer,
Ele se afastou de ti.
Em todo o tempo e momento,
segurando-te na mão,
disse-te sempre ao ouvido:
«Não temas, Eu estou aqui.»
Olha-O fundo nos olhos,
abre o teu coração,
deixa que Ele te toque,
e te diga numa oração:
«Eu renovo todas as coisas.»*
Mas se reparares melhor,
verás que por detrás d’Ele,
segue toda uma multidão.
Somos todos nós,
teus amigos,
que contigo também partimos
nesta tua nova vida,
confirmando a comunhão.
Por isso não temas,
amiga,
que tu nunca estás sozinha,
e mesmo que por nossa fraqueza,
cada um de nós te faltasse,
uma é sempre a certeza,
de que Ele nunca te falta,
nem a cada um dos que Ele ama,
que são todos sem excepção,
os filhos do Deus amor,
gerados no Seu coração.
Da nuvem do Seu amor
a chuva de água nova
rompe o tempo
e em ti cai.
Vai, minha amiga vai,
abraça a nova vida,
dá testemunho presente
de que Ele está sempre connosco.
Que todo o homem perceba
que a vida só tem sentido,
quando Lhe damos a mão.
Porque a vida é sempre nova,
renovada em cada dia,
pelo amor que brota,
do Seu Santíssimo Coração.

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* Ap 21,5
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3 de Junho de 2009
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Soube entretanto, que afinal esta nossa amiga não sairá hoje do hospital, mas sim provavelmente apenas na Segunda feira próxima.
Tem importância para ela, claro, que gostaria de já estar na sua casa, mas não tem para o que escrevi, que é verdade tanto hoje como Segunda feira, ou qualquer outro dia.
Rezamos continuamente por ela.
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8 de Junho de 2009 - A nossa e minha amiga já está em casa, graças a Deus, verdadeiramente, graças a Deus!
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Segunda-feira, Maio 25, 2009

O AMOR E O PRAZER

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Às 5 horas da manhã abri os olhos.
Mas foi um abrir daqueles que de imediato me disse que já não ia dormir mais.
Fiquei ali e comecei a rezar, aproveitando o silêncio da noite, a paz do momento.
Ao fim de algum tempo veio ao meu pensamento o episódio de Samuel, que foi chamado durante o sono.
Não fazia em mim qualquer comparação, pobre de mim, mas não deixei de perguntar no meu coração: Queres alguma coisa de mim, Senhor?
Senti-me um pouco envergonhado com a minha jactância de poder sequer pensar que Ele me tinha acordado para falar comigo, para me pedir algo que fosse.
Reza, Joaquim, reza que é o que deves fazer e deixa que Ele te adormeça, porque são horas de dormir, pois dentro em pouco tens de te levantar.
Mas nada, nem um pouco sequer de sonolência!
De mansinho duas palavras começaram a irromper na minha cabeça: o amor, o prazer.
Que queria isto dizer?
Com certeza que o amor é um prazer, um prazer sublime que vai muito para além da sensação física, da experiência de um momento.
O amor é algo que nos constrói, e se nos constrói, dá-nos prazer.
Sim, eu percebo que o amor de Deus nos enche e nos constrói, porque dá sentido ao nosso ser, sobretudo quando abrindo-nos a esse amor, também amamos a Deus, com o amor que Ele nos dá e nos faz experimentar, tornando-se uma delícia, um prazer para as nossas vidas.
Sim, sim, é esse amor que Ele nos dá que nos enche e completa, mas a palavra prazer continuava a surgir, mas com uma insistência de prazer físico.
Sabes, quando amas alguém, com esse amor eros, que se dá e recebe na totalidade da entrega, sentes prazer, o prazer de estares com a pessoa amada, que te faz sorrir, que te faz sentir alegre e em paz, mas que depois e ainda se completa na união física que te leva a experimentar o prazer sensorial, o prazer que te é próprio da humanidade.
Mas até esse prazer físico, repara que é continuado depois mesmo de acabar, ou seja, passa do sentir físico, para um sentir espiritual, um sentir pensado, porque reside no amor do amado e ao amado.
Repara agora tu, que tantas coisas já experimentaste.
Numa relação fortuita, apenas de um momento, movida mais pela urgência do corpo, do que pela vontade do espírito, alguma vez experimentaste esse prazer continuado, ou pelo contrário, esgotado o prazer físico, nada mais ficou do que uma recordação que às vezes até queres rapidamente apagar?
Mas se assim sentimos, não será tempo de pensarmos, que nessa relação fortuita separámos corpo e espírito, e por isso mesmo o prazer é efémero, e como tal não te completa, não te constrói, porque não é amor?
Não, não queres envolver-te em "pensamentos filosóficos", mas apenas e tão só tentares perceber o que te quero dizer.
A fonte do amor é Deus, porque foi Deus que te amou primeiro e assim te ensinou a amar.
Não podes amar sem que o amor de Deus esteja em ti, porque Ele é o amor e é n’Ele que o amor se completa.
Mas não é, nem podia ser apenas o amor d’Ele por ti, e o teu amor por Ele, mas sim e também, todos os que Ele ama, (e são todos), e todos os que tu amas, porque amas com o Seu amor, porque se permaneces no Seu amor, também amas com o Seu amor.
Então repara, se permaneces no Seu amor, quando amas com esse amor eros, também é com o Seu amor que tu amas e és amado, e por isso esse amor é abençoado pela plenitude de Deus e assim tudo o que vem desse amor não tem fim, ou seja, não é um só momento, mas é toda uma vida que mesmo depois da passagem, continua no amor eterno.
E por isso, repara mais uma vez, o prazer mesmo físico é abençoado pelo amor de Deus em ti e no outro, portanto torna-se completo, e projecta-se inteiramente na tua vida e na vida do outro, ultrapassando a barreira do físico, para ser vivido e sentido também no espírito.
Ora se o teu corpo é capaz de um tal prazer que ultrapassa a barreira da tua humanidade física, é porque ele é querido por Deus e por isso mesmo um “sacrário” do amor de Deus em ti, para o outro e do outro para ti.
Como podes então tu profanar o teu corpo com um prazer que não vem do amor abençoado por Deus?
Seria o mesmo que servires-te de um sacrário para guardar algo que não fosse o Pão Consagrado! O sacrário deixaria então de ser sacrário!
Teria a forma de sacrário, até lhe podiam chamar sacrário, mas não o era, porque não cumpria a sua “plenitude”, que é guardar o Corpo de Cristo dado como alimento ao homem.
Por isso, quando usas o teu corpo numa relação fortuita, apenas tens um prazer físico, efémero, sem amor, e sem amor o teu corpo não cumpre a sua missão de amar com todo o teu ser, físico e espírito, por isso não te completas, por isso o prazer morre no acto físico e não se projecta mais além.
O teu corpo “separa-se” do teu espírito e é apenas carne, carne que morre sem vida para depois.
É como o sacrário onde colocaram outras coisas que não o Pão Consagrado.
Está lá, mas não existe como sacrário, porque não contém o amor.
Entendes agora porque é que o prazer não pode ser separado do amor, nem o amor do prazer.
Entendes agora porque é que Deus quer que o homem tenha prazer na sua união física com a pessoa amada.
Porque se o amor espírito enche o espírito da pessoa, o prazer físico torna o amor presente no físico da pessoa.
E espírito e físico não podem ser separados!
Se o forem o homem sente-se dividido, e Deus ama o homem todo e não apenas uma parte do homem, e sem Deus o homem não tem amor.
Podia dizer-te ainda que na vivência deste amor completo, espírito e físico, em que Deus está presente e é permanência, o homem é chamado à criação, é chamado a prosseguir todos os dias a obra de Deus, e que sem o fazer também não completa o amor que Deus lhe dá, para O amar e amar os outros, mas por agora fica a meditar na extraordinária beleza deste amor humano, que só o é, porque é também divino por vontade de Deus.

28 de Abril de 2009
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Quarta-feira, Maio 20, 2009

A RELIGIÃO E A POLITICA

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Não costumo misturar religião e politica a não ser no sentido de julgar e acreditar que um cristão que queira ser político, tem o dever imperativo de reflectir na sua forma de agir politica, as suas convicções religiosas.
Porque para mim, primeiro é-se homem, depois cristão, (é Deus que dá sentido à vida humana), e só depois político.
Porque para mim, o cristão deve testemunhar em todos os actos da sua vida, a vivência da fé em Jesus Cristo, e sendo católico, a sua comunhão com a Igreja e a Doutrina da Igreja.
Porque ser cristão e católico não é condição de que cada um se possa “apropriar”, como se de um título, ou rótulo se tratasse.
Ser cristão e católico exige a vivência do Credo na Santíssima Trindade, Deus uno, único e verdadeiro, Pai, Filho e Espírito Santo, na Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, na Igreja una, santa, católica, apostólica, no Baptismo para a remissão dos pecados, na ressurreição dos mortos e na vida do mundo que há-de vir.
É este Credo que os cristãos católicos professam sempre que participam e celebram a Eucaristia, e que os une em comunhão de Igreja e como Igreja, fundada por Jesus Cristo nos Apóstolos.
Vem isto a propósito da entrevista que o Dr. Paulo Rangel deu ao jornal i de 19 deste mês.
Tinha para mim que estas eleições para o Parlamento Europeu pouco me diziam, sobretudo porque os candidatos já apresentados me pareciam de uma pobreza confrangedora e nenhum deles “preenchia” os requisitos necessários que me levassem a votar em alguém, visto que o voto em branco é também uma forma de exprimir a minha participação no acto eleitoral e a minha vontade.
A entrada em cena do Dr. Paulo Rangel veio modificar essa minha apreciação pelo facto de que, por tudo o que até agora tem feito me parecer merecer credibilidade, não só em termos de competência, como também de honestidade.
Não fazia ideia que o referido senhor fosse, ou se afirmasse cristão e católico, nem isso pesava na altura na minha apreciação sobre os seus méritos.
Mas depois de ler a entrevista que deu ao jornal acima referido, no que concerne às suas convicções religiosas, a minha opinião mudou e fiquei muito desiludido com aquilo que ele aí afirma.
Diz o Dr. Paulo Rangel que é um católico praticante, mas progressista!
Não faço ideia do que seja um católico progressista, pois para mim, um católico é sempre progressista na medida em progride num caminho que o leva ao encontro da Verdade, pela Verdade e com a Verdade.
E um católico, (não sei o que é um católico não praticante), é Igreja e como tal comunga da Doutrina da Igreja, une-se à Igreja, embora não deixe de ter a sua consciência livre, embora não deixe de, em Igreja, expor os seus pontos de vista tentando contribuir para a edificação da própria Igreja.
E um católico sabe, ou devia saber, que a Igreja, (que ele é também), não é um super mercado em que cada um escolhe o que mais lhe agrada e deixa de fora o que não quer, ou não lhe serve.
Mas o que mais me choca é perceber, segundo a minha apreciação, que o Dr. Paulo Rangel se afirma católico praticante tentando assim conquistar votos nos católicos, mas depois, cirurgicamente, aceita os pontos da Doutrina em que é mais fácil agradar a “gregos e troianos”, e rejeita os pontos ditos “fracturantes” e que ele julga, digo eu, lhe poderão custar ou ganhar votos.
Porque a defesa que ele faz das suas rejeições de determinados pontos da Doutrina da Igreja, não têm qualquer fundamento, e são defendidos com argumentos de “lana caprina”, que não me vou dar ao trabalho sequer de aqui rebater, porque são demasiado óbvios e repetitivos.
Assim, (e mais uma vez em meu entender), não foi honesto na forma como se afirmou católico e a pergunta ou perguntas feitas parecem “coisa encomendada” com determinados fins, o que me leva a repensar a apreciação que tinha deste candidato .
Pois é, Reis Balduínos há poucos, e falta a coragem a muitos políticos que se afirmam católicos, de o serem verdadeiramente.
Fica a minha participação no acto eleitoral para as eleições ditas europeias exactamente como estava antes da candidatura do Dr. Paulo Rangel, e é pena, porque poderíamos ter, se ele fosse um verdadeiro católico, alguém que defendesse os valores do cristianismo no Parlamento Europeu.
Mas eu sou só um!
Aproximando-se o Domingo de Pentecostes, rogo ao Pai, pelo Filho, que derrame abundantemente o Espírito Santo sobre esta Europa que se afasta de Deus a passos largos.
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Quinta-feira, Maio 14, 2009

A FÉ E A RAZÃO

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Ensina-me a procurar-te e mostra-te àquele que te procura, porque não te posso procurar se tu não me ensinas, nem encontrar-te se não te mostras. Que te busque desejando e te deseje buscando. Que te encontre amando e te ame encontrando.
Confesso, Senhor, e te dou graças porque criastes em mim esta tua “imagem” para que, de ti lembrada, pense em ti e te ame. Mas está tão corrompida pela acção dos vícios, tão ofuscada pelo fumo dos pecados, que não pode fazer aquilo para que foi feita se tu a não renovas e reformas.Não me atrevo, Senhor, a penetrar na tua altura , porque não lhe comparo, de modo nenhum, a minha inteligência. Mas desejo reconhecer um pouco a tua Verdade, que o meu coração crê e ama. Na verdade, não procuro antes compreender para crer, mas creio para compreender. Pois também creio nisto: “se não acreditar, não compreenderei”.
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Proslogion I - Santo Anselmo
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Quinta-feira, Maio 07, 2009

A LUZ!

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O "Semeador de Estrelas" é uma estátua que está em Kaunas, Lituânia.
Durante o dia pode passar despercebida, como mostra a foto.
Mas quando a noite chega, a estátua justifica o seu título.
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A Elsa enviou-me uma mensagem que recebeu do Fontez com estas duas imagens.

Ao olhar para elas e “lendo-as” com o coração, foi-me sugerido o seguinte: Eis uma estátua imóvel, estática, quase podíamos dizer sem utilidade.
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Na primeira imagem a estátua está à luz, mas não recebe a luz.
A luz não tem nela qualquer influência e em nada a melhora.
Não suscita naqueles que a vêem mais nada que não seja a pouca ou muita beleza, que afinal para nada serve a não ser para observar sem nada mais.

Na segunda imagem a estátua recebe a luz e esta transforma-a.
A estátua ganha vida e de imóvel que estava, passa a ter movimento.
É a luz que recebe que tudo muda, porque a luz actua agora sobre a estátua.
Para além da beleza que continua a existir, a estátua tem agora vida e utiliza-a para semear, para distribuir, para dar a outros aquilo que ela tem em si e que é despertado pela luz que a toca e ela recebe.

Não é assim, ou deveria ser, a Luz de Cristo nas nossas vidas?
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Terça-feira, Maio 05, 2009

RENOVAMENTO CARISMÁTICO CATÓLICO

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Papa a carismáticos: renovada adesão a Cristo
Mensagem aos membros da Renovação Carismática Italiana


RÍMINI, segunda-feira, 4 de maio de 2009 (ZENIT.org).- O Papa fez chegar à Renovação Carismática um telegrama no qual deseja para este movimento eclesial «uma abundante efusão dos frutos do Paráclito», durante a reunião nacional realizada em Rímini (Itália) neste final de semana.
Trata-se do 32º encontro nacional da Renovação Carismática na Itália, do qual participaram 20 mil membros, presididos pelo responsável deste movimento, Salvatore Martinez, e nele estiveram, entre outros, o presidente da Conferência Episcopal Italiana, cardeal Angelo Bagnasco.
Em seu telegrama, assinado pelo cardeal Tarcisio Bertone, o Papa deseja à Renovação Carismática que este encontro «suscite uma renovada adesão a Cristo crucificado e Ressuscitado, uma profunda comunhão fraterna e um alegre testemunho evangélico».
O encontro, que durou três dias, tinha como slogan «Ide e proclamai ao povo estas palavras de vida», e quer supor, em palavras de seu responsável, Salvatore Martínez, durante a intervenção conclusiva, «um renovado convite à evangelização».
«Estamos dispostos a oferecer nosso serviço a Deus – afirmou Martinez; somos um povo que encontrou novo vigor no anúncio do Evangelho, em um mundo que precisa de uma verdadeira renovação espiritual.»
«Temos o dever de renovar-nos sempre – acrescentou. A Igreja está em movimento, a Renovação é um movimento e todos somos o movimento do Espírito na história. Devemos estar ‘a favor do vento’, porque quem vai contra o sopro vital do Espírito Santo é insensato.»
A Convocatória foi inaugurada pelo cardeal Bagnasco, que pediu à Renovação Carismática que continue sendo fermento e luz na construção da história e da sociedade». Também esteve presente o cardeal Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, que presidiu a Eucaristia conclusiva.
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Muitas vezes se coloca em causa o Renovamento Carismático Católico e a sua comunhão com a Igreja, razão pela qual decidi colocar aqui esta notícia da ZENIT.
Uma das características que muito me toca no RCC é precisamente o seu amor, comunhão e dedicação à Igreja.
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Domingo, Maio 03, 2009

O BOM PASTOR E A MÃE

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Senhor,
Tu és o Bom Pastor e dás a vida pelas tuas ovelhas, e nós recolhemo-nos no teu redil, porque só nele encontramos paz e amor.
No pequeno rebanho doméstico, dás-nos também, Senhor, a figura do Bom Pastor nas pessoas dos nossos pais.
Se na figura do pai nos dás um guia e um protector, na figura da mãe dás-nos o tudo que é o amor.
A mãe é aquela que nos dá a vida e dá a vida pelos seus filhos.
A mãe é aquela que nos faz sentir pela primeira vez as delícias do amor, da ternura, do carinho.
A mãe é aquela que pela primeira vez nos alimenta e nos ensina.
A mãe é aquela que permanentemente por nós intercede, não só junto de Ti, Senhor, mas também junto de todos aqueles que são importantes para a vida dos seus filhos.
A mãe é aquela que tantas vezes no silêncio, sofre pelos seus filhos e dá-se inteiramente por eles.
A mãe é imagem d’Aquela que junto à Cruz, nos quiseste dar como nossa Mãe.
Louvado sejas, Senhor, pela mãe que me deste e que junto a Ti agora, continua a interceder por mim e por todos os filhos, com todas as outras mães que a Ti se acolhem.
Louvado sejas, Senhor, pelas mães que hoje o sejam pela primeira vez, e por todas aquelas que o continuam a ser.
Louvado sejas, Senhor, pela Tua Mãe e por cada uma das mães que o foram, que o são e que o hão-de ser.
Amen.
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Segunda-feira, Abril 27, 2009

CAMINHO DE CONVERSÃO 10

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Segunda feira, 6 de Outubro de 2003

Obrigado Senhor por este dia, por esta noite no grupo de oração. Não quero Senhor, que haja orgulho ou vaidade em mim, mas apenas vontade de Te servir e servir os irmãos, ajudando-os pela Tua graça a encontrarmos o Teu amor, a encontrarmos a Tua paz, a encontrarmos a maravilha que Tu és, Senhor.
Ajuda-me e ensina-me, Senhor, a estar ao Teu serviço, humildemente, a entregar-me a Ti, para que não faça nada por minha vontade mas sim segundo a Tua vontade.
Tu és o Senhor de tudo e eu pertenço-Te. Serve-Te de mim, Senhor, porque eu sou Teu.
Obrigado pela Palavra, pela parábola do Bom Samaritano.
Mais do que a atitude do samaritano, chamastes-nos a atenção para a atitude do sacerdote e do levita.
“Homens de Deus”, e contudo não souberam, amar o próximo, dando assim um péssimo testemunho.
Pecaram duas vezes: Não ajudaram o próximo e deram um mau testemunho aos outros que ainda não Te conhecem, que ainda não Te seguem.
É assim, Senhor, que nós, que escolheste e a quem queres como filhos, temos de saber cumprir o mandamento do amor, e sobretudo o testemunho do amor, que és Tu, Senhor.
Os olhos estão postos em nós e temos de saber que o que nós fizermos será visto, ouvido e analisado, por todos os que não acreditam em Ti ou ainda vivem longe de Ti.
Por nossa causa, Senhor, pelo nosso mau testemunho, podem afastar-se ainda mais ou nem tentar aproximar-se de Ti.
Ensina-me, Senhor, a ser Teu filho, a ser sacerdote, levita, homem de Deus, mas a proceder como o samaritano.
És Tu, Senhor, no meu irmão, que precisas de ajuda, e eu não Te posso voltar a cara, não Te posso dizer não, não Te posso abandonar, porque sem Ti, sem o amor, o Teu amor, nada sou, nada tenho, meu Senhor e meu Deus.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
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Segunda-feira, Abril 20, 2009

INTERCESSÃO E FÉ

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Às vezes parece que me sinto impotente perante as provações dos outros que me são próximos.
Próximos porque me estão ligados fisicamente, ou próximos por estes meios onde encontro irmãs e irmãos que me enchem o coração, que tocam a minha vida.
Perante essas provações que me são transmitidas e acabo por viver tantas vezes como minhas, rezo e entrego-me com tudo o que o Senhor me deu.
Mas, pobre de mim, fraco na fé, fico muitas vezes com a impressão de que deveria fazer mais alguma coisa, de que pessoalmente poderia agir, não percebo muito bem como.
Sinto muitas vezes no meu coração que o Senhor dá resposta às minhas orações, por vezes até coisas muito concretas, que eu, por medo, por vergonha, acabo por não transmitir àqueles por quem rezo, por quem intercedo.
Este medo humano de errar, esta vergonha humana de poder fazer “má figura”, esta falta de coragem de afirmar aquilo em que acredito.
Eu sei que não sou Pedro, nem João para ter a firmeza de dizer:
«Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!» Act 3, 6
Mas porquê, não somos nós todos Pedro e João?
Não nos disseste Tu, Senhor:
«Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei.» Jo 14, 12-14
Que posso eu acrescentar à oração sincera do coração, que o Senhor recebe de coração aberto?
Que posso eu fazer, para além da oração, que acrescente um pouco, mesmo pequenino que seja, à misericórdia de Deus?
Nada, mesmo nada, a não ser a confiança no Seu eterno amor, que se exprime na Sua vontade que é sempre o melhor para as nossas vidas.
E é aqui que, mais uma vez pobre de mim, errante na fé, vacilo, hesito, e como não compreendo que Ele tudo sabe e tudo vê, angustio-me, e em vez de esperar na paz do Seu amor, quase me desespero na expectativa humana que faz temer o futuro.
Ó Senhor, porque sou eu assim?
Porque não tenho eu essa fé que move montanhas, essa fé que sabe que ao pedir segundo a Tua vontade, tudo lhe é concedido, mesmo que não entenda o que é concedido?
Acredito que me deste essa fé, não só a mim mas a todos aqueles que em Ti acreditam, mas que eu não me abro totalmente a ela, e assim não deixo que ela tome conta de mim e seja verdade em todos os momentos da vida que me deste.
Mas apesar disso repouso, espero e confio, Senhor, porque sei que não precisas da minha fé para fazeres o que é a Tua vontade.
Assim, Senhor, dou-Te graças por tudo o que fazes e vais fazer na vida daquela irmã e de todos os Teus filhos.
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